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| REAÇÃO | Tiros a ônibus da caravana de Lula provocam reações da classe política que vão da solidariedade à provocação. Ontem, encerramento da viagem virou ato contra violência 

O ataque a tiros a dois dos três ônibus que integram a caravana do ex-presidente Lula (PT) pelo Sul do País motivou reações que oscilam da solidariedade à provocação. O episódio, ocorrido na terça-feira, 27, foi o mais grave após nove dias de animosidade entre grupos pró e contra Lula e alerta para a tensão que pode dar o tom das eleições de outubro. 

Ontem, no ato de encerramento da viagem, partidos de esquerda se uniram ao ex-presidente Lula para protestar contra o que chamaram de escalada de violência no processo eleitoral. Representantes do Psol, PCdoB, PSB e até o senador Roberto Requião (MDB) participaram do evento. Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (Psol), pré-candidatos à Presidência, compareceram. 

A 750 metros do local, manifestantes contrários ao ex-presidente organizavam marcha para impedir a fala de Lula. Alguns portavam ovos, que deveriam ser atirados no petista. 

Já na terça-feira, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que o atentado aos ônibus não é manifestação democrática. “Vamos deixar a política se transformar nisso? É bang-bang partidário”, questionou. Deputados petistas também cobraram do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que o caso fosse investigado pela Polícia Federal. 

O pedido não foi acatado pelo ministro. Jungmann classificou como “inaceitável” o episódio, mas afirmou que a investigação cabe às autoridades do Paraná. “Isso não é convivência democrática. Isso não pode acontecer, e se acontecer é preciso identificar os responsáveis porque não pode se repetir dentro do regime democrático”, disse. 

Pelas redes sociais, o presidente Michel Temer (MDB) lamentou o ocorrido e disse que “esse clima de ‘uns contra os outros’ não pode continuar”. 

O presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (MDB-CE), comparou o caso às ameaças sofridas pelo ministro da Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. “A democracia não aceita esse tipo de comportamento”, considerou. 

Além de Boulos e Manuela, os pré-candidatos à Presidência Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles usaram a internet para se solidarizar ao caso. 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckimin (PSDB), escreveu que “toda forma de violência deve ser condenada” e que é “papel de homens públicos pregar a paz e a união entre os brasileiros”. Na noite do atentado, porém, o tucano havia assumido tom menos conciliatório em relação ao petista ao declarar em entrevista que o “PT estava colhendo o que plantou”. 

Mesmo após o tucano voltar atrás, o líder do PSDB na Câmara, deputado Nilson Leitão (MT) sugeriu que o atentado pudesse ser “armação” de petistas. “Eles são capazes de tudo, inclusive de ter armado a situação para se colocar de vítima. Não acredito que alguém tenha feito isso”, disse. De passagem por Curitiba, o deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PLS, ironizou a violência sofrida pela caravana. Mais tarde, também sugeriu que os tiros partiram da própria comitiva. “Está na cara que alguém deles deu os tiros”, disse. 

Na avaliação do cientista político Valmir Lopes, professor da UFC, o clima de animosidade na rua e no discurso dos pré-candidatos, e a violência representada pelos tiros antecipam o clima da campanha. “Ao que tudo indica será bastante acirrada”, entende o especialista apontando para o elemento novo que seria as ações da extrema-direita. “Isso indica que estamos em uma situação anormal. O Estado teria condição de coibir esse tipo de ação em casos normais e tornar o debate um pouco mais tolerante. Não estamos habituados, na cultura brasileira, à presença desses grupos de extrema-direita”. 

Fonte: O Povo


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