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Calça apreendida em CDP de Ribeirão Preto, interior de São Paulo

Após a apreensão de cartas do PCC em esgotos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), uma mulher tentou entrar em outra prisão vestida com uma calça em que, na parte interior, havia um suposto recado da facção criminosa. O caso ocorreu no último domingo (15) no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. 

A calça foi apreendida pelos funcionários durante revista íntima. O que estava escrito não pode ser revelado, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária porque é objeto de apuração da pasta. A mulher não chegou a ser detida, por não estar configurado nenhum crime, mas foi suspensa do rol de visitantes do CDP. 

O marido dela, que segundo a mulher não era o destinatário da mensagem, foi levado para o isolamento. Segundo a secretaria, ele vai passar por "procedimento apuratório disciplinar". O nome da mulher e do marido não foram divulgados para não atrapalhar as investigações. 

A apreensão ocorreu 10 dias depois do MP (Ministério Público) ter denunciado 75 pessoas, suspeitas de integrarem a chefia do PCC. A investigação chegou aos acusados através de cartas apreendidas em esgotos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), onde está a cúpula da facção criminosa. 

Para o promotor Lincoln Gakiya, que foi o responsável por oferecer a denúncia contra os 75 no início do mês, o método de escrever o chamado "salve" na calça é curioso, mas não significa uma mudança na estratégia da facção a respeito do repasse de informações entre os integrantes do PCC que estão presos e os que estão livres. 

"Não tenho conhecimento desta apreensão. Isso deve ter sido ocasional. As cartas continuam entrando e saindo nas partes íntimas das visitas. Mas, desta forma, o método e inusitado", afirmou o promotor à reportagem. 

De acordo com a secretaria, um boletim de ocorrência foi registrado e a mulher que vestia a calça teve uma outra oferecida para que ela pudesse deixar a prisão. A pasta não confirma se há relação direta entre a mulher e a facção criminosa. 

Por Luís Adorno, do UOL, em São Paulo

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