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A penitência é forma de "agradecimento e testemunho", após luta de 13 meses contra rabdomiossarcoma 

Maria Alice, de 7 anos, sai da rotina hospitalar com a esperança bonita de estar curada. Durante 13 meses, a luta contra o rabdomiossarcoma foi pesada. Foi 13 também o dia da última quimioterapia, neste mês. O número marca por ser o dia de Nossa Senhora de Fátima. 

A família agora se prepara para seguir a pé de Fortaleza a Canindé, para pagar a promessa feita e agradecer o milagre da cura. Os pais de Maria Alice, os advogados Rocineia e Rômulo Furtado, vão acompanhados do filho mais velho, Vinícius, 19, e outras sete pessoas. 


A caminhada em ação de graças começa nesta quinta-feira, 23. Nos quilômetros finais, a menina e o irmão Mateus, 12, devem se juntar ao grupo. Considerando paradas, a previsão é chegar domingo, 26, para missa às 9 horas, na Basílica de Canindé

Maria lutou. Apesar do tratamento demandar forças, ela tentou sempre manter um sorriso no rosto. Quando perguntou ao pai “porque Deus está fazendo isso”, recebeu bênçãos enumeradas como resposta. A ela, o cuidado da família, da equipe médica e até dos colegas de classe que a acolheram bem sempre que foi possível ir à aula. 

O tumor na nasofaringe foi diagnosticado como rabdomiossarcoma (câncer de células que se tornam músculos) em julho do ano passado. Antes, os sangramentos foram tratados até como sinusite. A doença enfraqueceu a menina, que perdeu mais de 30% do peso e chegou a menos de 17 kg. 

Maria não pôde frequentar a escola, pela imunidade baixa e rotina intensa no início de tratamento. “Eram muitos exames, a quimioterapia era semanal, depois teve a radioterapia. Esse primeiro momento foi mais pesado”, lembra a mãe. Com apoio da escola e professor dando aulas domiciliares, Maria conseguiu chegar ao fim do 1º ano do Ensino Fundamental. 

“O diagnóstico de câncer veio como uma tsunami, muito silencioso, mas assustou demais, porque ela não ficava doente, era muito sadia até então. A gente se agarrou muito a Deus desde a primeira internação. Ele veio com resposta”, completa, a mãe, profetizando a cura da filha, ainda que exames de revisão só estejam previstos para setembro. 




#TodosJuntos 

A boneca Alice, a preferida de Maria, também perdeu os cabelos, ganhou acesso no braço e foi companheira durante todo este tempo de tratamento. Outra amiga foi Santa Terezinha, a preferida de Maria. 

“A gente se apega a tudo, nessa situação, né. Foi muito difícil, imagina se a gente não tivesse fé. Maria também é ligada à espiritualidade”, dialoga Rômulo. 

Após ouvir o diagnóstico do câncer e a possibilidade de Maria ficar cega após o tratamento, a família buscou várias igrejas e líderes religiosos. Na sacristia da Paróquia São Raimundo, por exemplo, o padre propôs a leitura de trecho da Bíblia e uma oração. 



Conta a mãe que, durante a leitura do nono capítulo do livro de João, Maria diz ter visto uma forte luz tomar conta da sala. A passagem bíblica fala da cura de um homem cego. “‘Mamãe, você não viu a luz saindo daquele livro?’ Era o sinal que eu tinha pedido a Deus”, diz Rocineia. 

Agora, a expectativa é voltar à rotina, poder ir à escola regularmente, se alimentar melhor. Celebrando, a caminhada #TodosJuntosComMaria "é penitência testemunhando o milagre de Deus na vida dela”, como diz o pai. 

“Jesus respondeu: nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9:3) 

Por Lucas Braga / O Povo

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