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"Quero ser um pai presente para as minhas duas filhas, porque esse apoio foi uma coisa que eu nunca tive. Meu pai era minha mãe", revela Rodrigo FOTO: NATINHO RODRIGUES


A Lei Federal nº 11.108/2005 determina que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve garantir que a mulher tenha uma companhia, independentemente do sexo, durante o nascimento do filho ou da filha 


Passava da meia-noite da última quinta (11) quando Rodrigo cortou o cordão que unia Ana Sofia à mãe, Regiane, depois dos meses de espera pela filha. O pai comemorou a presença na sala de parto, direito garantido por lei federal desde 2005, mas ainda não oferecido em toda a rede hospitalar. Segundo uma pesquisa do Ministério da Saúde com 206 pais cearenses, divulgada em 2017, apenas 19% conseguiram assistir ao momento do parto, embora 61% estivessem no hospital no dia do nascimento. 

Nem toda maternidade está equipada para a recepção de acompanhantes e, às vezes, a presença do homem é até vetada - 43% dos barrados relataram que o hospital não permitia a entrada de homens. "Dependendo da estrutura, a acompanhante precisa ser mulher porque tem outras pacientes na mesma sala, naquele momento íntimo", explica Laura Torres de Melo, enfermeira da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac). 

Por lá, as salas de parto individualizadas permitem a entrada do homem ou de qualquer acompanhante escolhido pela mãe. Foi a possibilidade de ver Ana Sofia nascer que alimentou a espera de Rodrigo Roseira desde o pré-natal. "Não perdi uma consulta", orgulha-se. A companheira, Regiane Oliveira, elogia: "Em todo exame e ultrassom, ele estava presente, então não podia faltar logo no parto, né?" 

A orientação é realmente ter o pai presente desde o pré-natal, quando são apresentadas as formas de parto e o casal pode realizar simulações. Mas Regiane e Rodrigo viram que já era pra valer quando, por volta de 16h de quinta, a costureira começou a sentir as primeiras contrações. 

Oito horas depois, durante o parto normal, respiraram juntos e se deram forças. "Ela estava precisando de mim, e eu sentia a dor dela também", confessou o pai num dos oito apartamentos pré-parto, parto e pós-parto (PPP) da Meac, onde Ana Sofia representa um dos mais de 3,7 mil bebês nascidos só em 2018.

Assistência 

Para Regiane, foi um alívio, já que a experiência de dar à luz a Emily, seis anos atrás, não pode ser compartilhada. "Fiquei sozinha desde o acolhimento; insegura, me senti muito mais fragilizada. Dessa vez, consegui enfrentar melhor a dor", conforta-se. 

O apoio externo tem outros efeitos além dos emocionais, explica Laura Torres de Melo. A cumplicidade estimula a liberação de ocitocina, o "hormônio do amor", que acelera o processo de contrações e o trabalho de parto. "A própria gestante sente mais coragem e segurança", destaca. 

No Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), por exemplo, "considerando a característica de partos de alto risco", o percentual de acompanhantes está em 65%, informou a unidade. Um médico avalia a condição clínica da gestante e se há possibilidade de alguém dividir o momento. 

Em 2011, o Diário do Nordeste mostrou que algumas unidades de saúde de Fortaleza proibiam o acesso de acompanhantes. Desde então, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), "as maternidades passaram por adequações na estrutura física para manter a privacidade das pacientes". Hoje, a Pasta assegura que as cinco maternidades municipais e as cinco conveniadas (três estaduais, uma federal e uma contratualizada) possuem assistência ao parto individualizado. 

Por Por Nícolas Paulino / Diário do Nordeste

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