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A Polícia Civil desarticulou um esquema internacional de agiotagem que tinha como base a cidade do Crato, na região do Cariri cearense. Na manhã da terça-feira (3), a Polícia Civil cumpriu 57 mandados – sendo 31 de busca e apreensão, nove de prisão preventiva e 17 de sequestro de bens – nas cidades de Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte. As investigações apontam que o grupo é responsável por movimentar mais de R$ 2,5 milhões na Colômbia em seis meses. 

No total, a Polícia Civil prendeu 11 pessoas, das quais nove foram capturadas por força de mandados de prisão e duas presas em flagrante pelo crime de agiotagem, previsto na Lei dos Crimes contra a Economia Popular. Com eles, foram apreendidos 11 veículos, sendo cinco motocicletas e seis carros, a quantia de R$ 27,5 mil, além de 100 dólares, 102 euros e 1.848.400 pesos colombianos, além de aparelhos celulares e computadores. A Polícia Civil do Ceará também solicitou ao Poder Judiciário o sequestro de veículos, imóveis e valores em contas bancárias dos investigados e de algumas empresas que estão em seus nomes. 


A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa de engenharia financeira internacional, suspeita da prática de crimes contra a economia popular (agiotagem), lavagem de dinheiro, extorsão e ameaça. A organização criminosa é formada por colombianos e brasileiros que exploravam pessoas em situação economicamente vulnerável, emprestando dinheiro a juros exorbitantes. Conforme explicou Giuliano Sena, delegado da delegacia regional do Crato e responsável pelas investigações, os criminosos emprestavam dinheiro e cobravam juros de, no mínimo, 20% ao mês, e, por meio de extorsão, faziam a cobrança. Em alguns casos, eles tomavam bens como pagamento, causando grave lesão à economia da região do Cariri e de outros estados. “Quando há atraso no pagamento eram implementados novos juros de 20%, ou seja, juros sobre juros”, explicou o delegado. 

Giuliano explicou ainda como funcionava o esquema criminoso. “Os valores dos empréstimos variavam entre R$ 100,00 e R$ 3 mil, mas poderia ser ilimitado. As ofertas feitas por eles pareciam ser tentadoras. Eles distribuíam cartões com contatos e dizeres ‘empréstimos para comerciantes’ e com a opção de planos de pagamentos diários. Dessa forma, eles atraíam os clientes”, disse. O delegado explicou ainda que toda a movimentação financeira era integrada em um sistema ligado a uma central na Colômbia. “Todos esses indícios criminosos estão sendo investigados”, afirmou Giuliano. 

As investigações sobre o esquema fraudulento iniciaram há cerca de quatro meses. Durante as apurações, a Polícia Civil descobriu que os colombianos investigados não possuem trabalho formal e viviam, na sua maioria, apenas da agiotagem. Porém, eles estavam criando laços familiares e empresariais com brasileiros, inclusive abrindo empresas que serviam para lavar dinheiro. “Pelo que pudemos observar, há uma transitoriedade grande desses criminosos. A maioria fica entre seis meses a um ano no Brasil, e ainda passam por várias cidades do mesmo estado ou de outros cometendo o mesmo tipo de crime e saindo rapidamente como uma forma de tentar evitar a prisão”. 
Fonte: SSPDS

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